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segunda-feira, 3 de março de 2014

O Jogo Reduzido e Adaptado Como Possibilidade De Ensino Dos Jogos Desportivos Coletivos Na Educação Física Escolar

Autor: Rafael Hackbarth

            Nos dias atuais, surgem cada vez mais, novas concepções metodológicas sobre o processo de ensino aprendizagem dos jogos desportivos coletivos dentro do contexto esportivo e escolar.

Métodos estes, que veemente centralizam o jogo como ferramenta fundamental no processo de ensino aprendizagem. Gerando por meio deste, desafios e conflitos no processo pedagógico-didático, proporcionando assim, a criação de situações problema e adaptações nos aprendizes através da alteração de regras e dinâmicas de jogo para os indivíduos inseridos num determinado ambiente.

Entretanto ao abordar esta forma de ensino, o professor/educar deve estar consciente de que só promoverá alguma adaptação e favorecerá o aprendizado de determinadas habilidades alterando este ambiente de aprendizagem, ou melhor, proporcionando diferentes ambientes de jogo para o jovem aprendiz se defronte com diferentes situações, na qual deverá coordenar suas ações a fim de resolver os problemas emergentes do jogo.

Neste contexto, é de suma importância o papel do professor, onde este por sua vez, é aquele que apresenta o nível do desafio proposto, devendo, portanto, saber gerenciar o que acontece e tornar o meio o mais favorável possível para reflexões e descobertas. (NEIRA apud MOREIRA, E. C.; PEREIRA, R. S.; LOPES, T. C, 2009, p.159).

Surgem então neste contexto, os jogos reduzidos e adaptados, onde através da sistematização do exercício/atividade viabiliza-se problematizar o jogo de uma forma pedagógica, ou seja, através da manipulação de sua estrutura organizacional e de suas constantes estruturais (espaço de jogo), funcionalidade (tempo/duração), do seu nível informacional (feedback/comunicação).

Impondo através da alteração das relações estabelecidas no exercício em forma de jogo e propondo condicionantes para que o sujeito consiga elaborar suas ações em prol da resolução de problemas surgidos que vão de encontro às características primordiais dos jogos desportivos coletivos. (JDC)

Os jogos desportivos coletivos caracterizam-se, entre outros fatores pela aciclicidade técnica, por solicitações e efeitos cumulativos morfológico-funcionais e motores e por uma intensa participação psíquica. (Teodorescu, 1985)

A natureza dos jogos esportivos é muito ampla, possuindo ao seu redor a imprevisibilidade a aleatoriedade, o equilíbrio e o desequilíbrio, ordem e desordem, organização e interação.

Os jogos reduzidos são atividades eficientes em termos de aproveitamento de tempo e a duração das aulas. Estes, por sua vez, devem ser amplamente utilizados nas aulas de Educação Física, por permitirem aos iniciantes vivenciarem situações problema que resultarão no aprendizado das habilidades que vão de encontro aos objetivos propostos pelo educador.

Portanto, a utilização destes jogos assume então um papel importante no processo de ensino aprendizagem das modalidades esportivas, pois permitem de certa forma a continuidade das ações, um melhor domínio perceptivo do espaço e possibilitam um número bastante alto de intervenções no objeto de jogo em várias situações diversificadas favorecendo a aquisição das habilidades motoras necessárias por parte do aprendiz.

Referências:

MOREIRA, E. C.; PEREIRA, R. S.; LOPES, T. C. Consolidando caminhos e caminhadas da Educação Física nas séries finais do Ensino Fundamental. In: MOREIRA, E. C.; NISTA-PICCOLO, V. L. (orgs) O quê e como ensinar Educação Física na escola. Jundiaí, S.P.: Fontoura, 2009. p. 151-176.

TEODORESCU, L. Contributions au concept de jeu sportif collectif. In: Proceedings of International Congres Of Teaching Tearn Sports. Roma: Scuolla dello Sport. p.193, 1985.



domingo, 2 de março de 2014

Modificações Pedagógicas Nas Estruturas Funcionais Do Jogo – Manipulações

Autor: Rafael Hackbarth

Quais alterações e/ou modificações podemos preconizar buscando facilitar o processo de ensino aprendizagem aos nossos aprendizes nos Jogos Coletivos de Invasão?

            Diversas são as possibilidades pedagógicas de ensino aprendizagem para os Jogos Desportivos Coletivos De Invasão, e em ambas delas, modificar a estrutura funcional padrão de cada jogo pode torna-se um agente de sucesso.
            Manipular regras, comportamentos, situações e contextos evidentemente podem ser um fator a propiciar o processo pedagógico didático de ensino aprendizagem dos mesmos.
            Com isso os jogos adaptados, modificados e/ou condicionados são estruturas funcionais do jogo formal, que por sua vez, vão de encontro a especificidade de cada esporte coletivo que podem ser usados nos mais diversificados contextos e objetivos.
            O esporte ao ser ensinado, deverá levar em consideração princípios de ação e gestão do jogo, seus elementos estruturais, sua funcionalidade e sua informacionalidade (Reverdito & Scaglia, 2009).
            Selecionando o exercício de treino – modelando o mesmo de acordo com nossos objetivos ou modelo de jogo –, e dando a este uma construção progressiva,  mantendo assim as especificidades do jogo propriamente dito estaríamos dando os primeiros passos em busca de uma aprendizagem adequada e de qualidade a nosso aprendiz.
            Seria esta, uma forma de privilegiar a gestão das emergências, de desordens surgidas no ambiente de jogo para que o indivíduo organizasse suas tomadas de decisões em relação à resolução dos conflitos substanciais.
            Fazendo com que assim, o aprendiz construísse uma nova ordem de soluções para o jogo, permitindo a este reconhecer a lógica interna e funcional do jogo e transferi-la para o jogo coletivo de invasão.
            Dentre as várias possibilidades de modificações do jogo coletivo, abaixo cito algumas delas:

           
Modificações Pedagógicas
Possibilidade De Variações

Espaço De Jogo

- Superfície: deverá ser plana ser plana e não oferecer riscos aos alunos, podendo ser cimento, madeira, grama, areia terra, batida etc.

- Características do especo: zona parcialmente proibida, proibida ou neutra, com fórmulas de circulo, semicírculo, quadrada etc.

- Dimensão e formas: espaços grandes ou reduzidos, circulares, retangulares etc.

- Lugares determinados: quadras poliesportivas, espaços urbanos, praias, parques, bosques e etc.


Bola

- Tipo de material: plástico, couro, pano, papel sintético etc.

- Forma, tamanho e peso: esférica, ovulada, sem forma definida, grande, pequena, leve, etc.

- Textura, coloração, densidade e sonoridade: lisa, branca, reluzente, maciça, com objetos sonoros internos etc.

- Números:  mais de uma bola e distintos objetivos.


Gol Ou Baliza

- Tipo de material: madeira, ferro, cordas elásticas, alumínio etc.

- Forma, tamanho e características: retangular, circular, linear, grande, pequena etc.

- Situação determinada: vertical, horizontal, frente a frente, em diagonal, móvel, fixa e etc.

- Número: mais de uma bola e distintos objetivos.


Participantes

- Caráter: grupos homogêneos e heterogêneos (feminino e masculino , iniciantes e iniciados).

- Números: grupos grandes, pequenos, individual etc.

-Formas de deslocamentos: sobre os dois pés, em um único pé, frontal, de costas, lateral, quadrúpede etc.

- Equilíbrio Numérico: igualdade, inferioridade ou superioridade.


Regras

   Entre as possibilidades derivada dos elementos anteriores as regras poderão ser modificadas em virtude dos objetivos, das características do grupo e do lugar onde está acontecendo a prática.

Adaptado de Garcia 2001) apud Reverdito e Scaglia (2009, p.211-212).

Bom Treino a Todos.
E você amigo Leitor, utiliza modificações pedagógicas do jogo formal objetivando o ensino aprendizado de qualidade aos seus aprendizes? Qual você preconiza? De que forma agrega essas modificações em suas Sessões?
Aguardo sua resposta: rafael_hackbarth@hotmail.com

Referências Bibliográficas

REVERDITO, Riller Silva; SCAGLIA, Alcides José. Pedagogia do esporte: jogos coletivos de invasão. São Paulo: Phorte, 2009. 264p. ISBN: 978-85-7655-210-9.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O que é Pedagogia Do Esporte?


Autor: Rafael Hackbarth
Pedagogia Do Esporte. Qual Seu Significado? Sua Caracterização? Qual Sua Finalidade?
O Esporte Como Uma Ciência!
                                  Para disseminarmos um significado caracterizando a “pedagogia do esporte” precisamos percorrer alguns caminhos e irmos à busca de alguns significados para que assim, consigamos ter uma compreensão sobre o objeto de estudo.
                                  Contudo, primeiramente para que consigamos ter um melhor entendimento, iremos fracionar o estudo e conceituar a palavra “pedagogia” estabelecendo seu campo de investigação e significado.
                                  Com isso Durkhein apud Reverdito & Scaglia (2009) buscando um conceito específico sobre a pedagogia afirmou que esta é a reflexão – teoria prática e prática teórica – de forma metódica dos diversos campos de estudos relacionados à educação; é estudo do ensino – historicidade – na busca de uma ideal pedagógico.
                                  Seguindo esta linha de pensamento Reverdito & Scaglia (2009) ainda citam que a esta estabelece seu campo de investigação – científico, filosófico e técnico – nos diferentes aspectos relacionados à realidade educacional, em constante transformação – saber sócio-histórico -, podendo, assim, explicar os objetivos (por quê?, para quê?) e processos de intervenção metodológica (como?) e organizativa (o quê?, quando?) referentes à transmissão-assimilação de saberes e modos de ação.
                                  Com isso é possível salientar que a pedagogia do esporte está justamente voltada ao estudo e/ou a busca por caminhos e processos pedagógicos facilitando as formas de ensino. Então seria esta, no gênese de caracterização, um meio a dar conta de educar o sujeito/indivíduo para a prática esportiva.
                                  Assim, as práticas de ensino carregam consigo muitas responsabilidades voltadas não somente ao ensino do esporte, mas sim aos indivíduos que o praticam, fazendo uso do esporte como mais um ótimo e eficaz elemento de formação humana.
                                  De encontro a este pensamento, volto no tempo e me alimento das palavras de Scaglia (1999), no qual aborda um pouco mais sobre o ato de ensinar:
                                  Salientando que ensinar não é, e nunca será, tarefa simples e desprovida de responsabilidades. Ao ensinar tem-se o compromisso com o formar. Formar o cidadão que, para se superar e ser sujeito histórico no mundo, necessita desenvolver sua criticidade, sua autonomia, sua liberdade de expressão, sua capacidade de reflexão, sintetizando sua cidadania. Assim sendo, aluno/sujeito/cidadão, lapidado por quem ensina, não será mais aquele que simplesmente se adapta ao mundo, mas o que se insere, deixando sua marca na história. (SCAGLIA, 1999, p. 26)
                                  A prática educativa intencional deve ir de encontro a uma pedagogia, e se sobrepor unicamente ao saber técnico-esportivo, mas sim, alicerçada no indivíduo que joga buscando a formação de um ser autônomo capaz de transformar sua realidade e o mundo em que vive.
                                  Portanto com todas essas possibilidades, e com enorme caracterização político sociocultural, o esporte se torna um objeto de conhecimento dentro da área das “Ciências Do Esporte” contemplado de várias responsabilidades, para ensinar o esporte para todos, ensiná-lo bem, ensinar mais do que ele próprio e ensinar a gostar de esporte. (FREIRE, 2002)
Referências Bibliográficas
FREIRE, J.B. (2002). Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física. 4ª ed. São Paulo: Scipione.
REVERDITO, Riller Silva; SCAGLIA, Alcides José. Pedagogia do esporte: jogos coletivos de invasão. São Paulo: Phorte, 2009. 264p. ISBN: 978-85-7655-210-9.
SCAGLIA, A.J. (1999). O futebol que se aprende e o futebol que se ensina. Dissertação de mestrado. Universidade Estadual de Campinas. Campinas.                       

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Somente Jogos Serão Capazes De Resolver Nossos Problemas Da Prática?


Somente Jogos Serão Capazes De Resolver Nossos Problemas Da Prática?
Autor: Rafael Hackbarth.

            Serão Capazes Somente Os Jogos De Resolver Nossos Problemas Na Praxis Pedagógica Do Ensino Dos Jogos Desportivos Coletivos De Invasão?

            Os Jogos Coletivos De Invasão são contemplados por todos aqueles jogos coletivos que envolvem progressão no campo de jogo e alvos a atacar e a defender. Dentre eles posso citar; o futebol, o futsal, handebol, basquetebol, hóquei, seja no gelo ou na grama, rúgbi e futebol americano.
                         
         Além disso, ambos os jogos são marcados pela alta intensidade e quantidades de ações por unidade de tempo, ocorridas num ambiente aleatório, acontecimental e totalmente imprevisível, dotados de ritmos contínuos e variados, resultantes de conflitos alternados em decorrência dos objetivos de jogo, determinados por uma dimensão espaço temporal, contemplado de uma natureza totalmente complexa. (R everdito & Scaglia 2009, p. 183  )
          
         Torna-se então de grande importância conhecer os parâmetros configuradores da estrutura funcional de cada jogo para que consigamos construir uma matriz pedagógica para ensino dos mesmos.
     
       Dentro desta matriz pedagógica, é aconselhável que haja uma sistematização dos conteúdos desenvolvendo assim nos praticantes a “Capacidade Do Jogar”, num ambiente em que exija dos praticantes um número elevado de decisões a tomar em decorrência dos confrontos, objetivos e fases do jogo.
     
     Desde já posso salientar que só conseguiremos propiciar maior “Capacidade De Jogo” em nosso aprendiz, colocando-o num ambiente de jogo, facilitando assim para o sujeito melhor compreensão do jogo permitindo identificar  as intenções dos outros jogadores, promovendo uma interação coletiva com seus companheiros e adversários tomando assim decisões cada vez mais rapidamente, obtendo desta forma, a chamada inteligência de jogo.

        Isso quer dizer que só construiremos tal capacidade nos indivíduos expondo-os ao Jogo. Quanto a este, vários autores mencionam diferentes nomenclaturas para os mesmos: Jogos Condicionantes, Jogos Adaptados, Jogos Modificados, Jogos Conceituais, Jogos Reduzidos e entre outros.

         Para nós o que realmente importa é que sejam “Jogos”. Mas agora, um pergunta fica no ar:

- Serão Capazes Somente Os Jogos Sejam Eles Reduzidos, Adaptados, Conceituais, Condicionantes e/ou Modificados De Resolver Nossos Problemas Voltados a Praxis Pedagógica Do Ensino Dos Jogos Desportivos Coletivos De Invasão?
            A resposta se torna óbvia. É Claro Que Não!

            O que precisamos para que estes jogos se tornem eficientes é dotá-los de uma matriz pedagógica dentro de um processo estrutural, numa carga de dificuldades na mesma sessão que vão progredindo de tarefa para tarefa e que ao final de tudo consigamos atingir nossos objetivos com aquela Sessão/Aula.

            Iremos conseguir isso das mais variadas formas; manipulando regras, condicionando comportamentos, reduzindo espaços para que a densidade das ações aumente concomitantemente, enfim, modificando as capacidades estruturais do jogo em prol daquilo que buscamos.

            O handebol faz parte do quadro designado de Jogos desportivos De Invasão, e através desta modalidade buscarei exemplificar uma Sessão, em que o objetivo é propiciar, através de jogos, vivências para meus aprendizes possam, por sua vez, melhorar suas habilidades e ações de arremesso.

Confira:



            Na primeira atividade, escolhemos um aprendiz, que deverá evitar que os demais acertem-no com a bola. Os outros, por sua vez, não podem correr ou se deslocar com a bola nas mãos somente sem ela.

            Uma das modificações estruturais que podemos realizar no jogo é a colocação de maior número de objetos de jogo (bola).

            Ou então, maior número de alvos.


            Envolvendo  maior dinâmica e intensidade ao Jogo.

            Outra alteração possível de ser feita é uma alteração no Jogo propriamente dito, dando maior complexidade ao mesmo.
           
            Jogo De Três Cores, onde duas equipes jogam a favor e em oposição a terceira, no caso  Azul + Vermelho Contra Coringas.
          
            O objetivo é acertar os Coringas de forma com que consiga-se eliminar todos.

            Podemos variar as equipes que jogam entre si e contra.
           
            Número Dos Objetos De Jogo.

            E por último buscando aumentar ainda mais a complexidade da Atividade proponho um Jogo De 4 Equipes, em que 2 Equipes Jogarão Em Oposição a Outras 2.
            Formando assim um 2 + 2 X 2 + 2 alterando assim o exercício para níveis cognitivos muito maiores.

            Veja:



            Bom Trabalho a Todos!

Se optarem e quiserem me enviar comentários: rafael_hackbarth@hotmail.com
             
            Um Grande Abraço!
                                  Referências Bibliográficas
                                  REVERDITO, Riller Silva; SCAGLIA, Alcides José. Pedagogia do esporte: jogos coletivos de invasão. São Paulo: Phorte, 2009. 264p. ISBN: 978-85-7655-210-9.